Declaração Médica para Inscrição de Crianças em Creches e Jardins de Infância: enquadramento legal e problemas atuais
Fimose é não separação do prepúcio da glande do pénis (Figura 1).
Por imaturidade destes tecidos do pénis, é normal a ocorrência de fimose fisiológica nos primeiros 7-8 anos de vida. Apenas a partir desta idade se considera fimose "doença".
A retração forçada do prepúcio durante o banho é um procedimento incorretamente recomendado nos primeiros anos de vida. Ao não ter em conta a evolução natural e fisiológica dos tecidos da glande e do prepúcio, pode ser prejudicial; também porque é dolorosa, é desaconselhada a retração forçada.
Também muitas das "fimoses fisiológicas" são observações superficiais pelos clínicos.
Figura 1: Fimose e o normal
Prevalência:
Ao nascimento 96% dos rapazes recém-nascidos apresentam aderência do prepúcio à glande. Espontaneamente ocorrerá a maturação dos tecidos, proporcionando que aos 1, 2, 3 e 5 anos de idade a percentagem de fimose seja, respetivamente, de 50%, 30%, 20% e 10% (Figura 2).
Aos 8 anos apenas 5% dos rapazes mantêm fimose; portanto só a partir desta idade é "anormal".
Até aos 8 a 10 anos, justifica-se apenas a simples lavagem do pénis, devendo-se esperar pela maturação tissular espontânea.
Espontaneamente, ocorrerá fimose aos 12 anos em 2% dos rapazes (Figura 2).
Analogia:
Numa laranja, se forçarmos a separação entre os gomos e casca, conseguimos fazê-lo na laranja madura, mas não na laranja muito verde. Nesta apenas a estragamos. É preciso deixar que maturação dos tecidos se processe espontaneamente de forma lenta e gradual.
Critérios de Referenciação de fimose DIRECTAMENTE PARA A CONSULTA DE CIRURGIA PEDIÁTRICA:
- Fimose em idade superior a 8 anos
- Anel prepucial espesso, tenso e irregular, cicatricial e não elástico (da Balanite Xerótica Obliterante/ Líquen Escleroso);
- Edema branco prepucial - fase inicial da Balanite Xerótica Obliterante/ Líquen Escleroso
- Não resposta ao tratamento com (DIPROGENTA.R (Betametasona) iniciada após os 7-8 anos de idade.
Não São Critérios de Referenciação:
- Balão do prepúcio durante a micção - ocorre porque o prepúcio é flácido e o jato da urina não acerta com a abertura dum prepúcio;
- História familiar de circuncisão;
- Fimose apertada com anel prepucial fino, enrugado mas elástico.
Tratamento Médico (após os 7-8 anos de idade):
Aplicação tópica de betametasona a 0,05% (DIPROGENTA.R) durante 4 a 6 semanas.
Não se conhece o mecanismo da betametasona na maturação dos tecidos, mas tem uma taxa de cura de 65% a 75% dos casos.
A doença boca, mãos e pés é uma doença banal, em regra muito benigna, que cura espontaneamente em menos de uma semana.
Uma vez que o contágio persiste durante algumas semanas após a cura da doença, a retirada da criança do estabelecimento não irá impedir a propagação do vírus às restantes crianças.
Apenas as crianças incapazes de participar nas atividades do grupo ou as que manifestarem significativo desconforto devem ser sujeitas a evicção da creche ou do estabelecimento de ensino.
I - Etiologia e
Manifestações Clínicas e Idade de Ocorrência:
É provocada por vírus Coxsackie, causando lesões nas mãos
incluindo as palmas, nos pés incluindo as plantas e na boca. Daí o nome (Fig 1,
2 e 3). As lesões são constituídas por pápulas (“borbulhas salientes) e/ou
vesículas (“borbulhas” contendo líquido) que podem romper.
Fig 1: Lesões periorais muito características e na boca
Fig. 2: Lesões palmares
Fig. 3: Lesões plantares
Outras manifestações clínicas possíveis são a febre (que ocorre
apenas em algumas crianças), dor garganta e recusa em comer.
Esta doença pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum até aos 10
anos.
II – Manifestações Clínicas Tardias:
Várias crianças que apanham esta doença surgem, algumas semanas depois, com descolamento e depois queda de várias unhas (onicomadese) (Figura 4).
Depois as unhas voltam a crescer completamente normais. Noutras crianças surgem apenas sulcos esbranquiçados transversais nas unhas
III – Período de Incubação e Período de Contágio:
O período de incubação é de 3 a 6 dias.
O contágio é feito pelas fezes e pelas secreções
respiratórias. Para além do período de doença, e mesmo após a cura, o vírus
continua a ser eliminado pelas fezes durante várias semanas e pelas secreções
respiratórias durante 1 a 3 semanas.
IV – Excluir a Criança Doente do Estabelecimento (Creche, Infantário, Escola)?
Em regra NÃO.
Sim se a criança for incapaz de participar nas atividades de
grupo ou manifestar claro desconforto.
A doença é muito benigna e não necessita de tratamento,
exceto antipiréticos para a febre. E é benéfico a criança adquirir imunidade
para estes vírus. Daí não ser incluída na lista oficial das doenças de evicção
escolar.
Uma vez que o contágio persiste durante algumas semanas após a cura da doença, a retirada da criança do estabelecimento não irá impedir a propagação do vírus às restantes crianças.
Bibliografia:
Aronson SS, Shope TR. Managing Infectious Diseases in Child
Care and Schools. A Quick Reference Guide, 4th Edition; 2017:97-98 (publicado pela
Academia Americana de Pediatria)
| A maioria dos pais e dos profissionais de saúde não evoca a relação entre prurigo estrófulo e as pulgas por desconhecerem o curioso ciclo de vida deste inseto, e pelo facto das “borbulhas” surgirem até 8 horas após as picadas e serem notadas só várias horas depois de aparecerem. |
